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  • 16/08/2018 Opinião

    Jornal do Sismuc: A situação nacional e a Intersindical voltada pro umbigo

    Jornal do Sismuc: A situação nacional e a Intersindical voltada pro umbigo
    Gibran Mendes
    "sabíamos que, depois de derrubar Dilma e prender Lula, o alvo desse golpe é destruir direitos"

    A gestão “Nós fazemos a Luta” sempre teve críticas aos limites dos governos de Lula e Dilma, do PT, por não terem feito as reformas populares que a classe trabalhadora necessita – uma reforma urbana, agrária, tributária, e por não ter fomentado mais espaços de organização da classe trabalhadora. Mas nunca caímos na análise fácil ao desconsiderar avanços na economia que trouxeram possibilidades para a nossa gente: ganhos salariais, inserção nas universidades e políticas sociais, para dizer o mínimo.

    É fato que, desde 2016, o golpe contra Dilma teve o objetivo de implantar de novo o modelo neoliberal no país, o que quer dizer: arrochar ainda mais os trabalhadores, acabar com os serviços públicos e passá-los para as empresas privadas, incluindo a previdência dos servidores; vender as empresas públicas, caso da Petrobrás e Eletrobrás. Se tiver continuidade depois das eleições de outubro, esse projeto político em curso no Brasil aponta o pior terreno para os trabalhadores brasileiros.

    O que chamamos de “golpe de Estado” foi uma aliança entre os setores mais conservadores do poder Judiciário (os mesmos que criminalizam as greves), as seis famílias que controlam os meios de comunicação no país, em especial a Globo, os empresários submissos às definições de grandes empresas e bancos mundiais, o Congresso sem representação popular, a alta classe média privilegiada. Eles colocaram os trabalhadores numa situação de defensiva e de perda de direitos. Contra isso, sempre lutamos. Não importa o preço porque, embora pareça apenas “política”, na verdade influencia os rumos de nossas negociações salariais. O congelamento de Greca, por exemplo, surgiu a partir de reunião dos prefeitos com o presidente golpista Temer.

    Fomos às ruas nos momentos mais difíceis para o país, em atos contra o golpe de Estado porque sabíamos que, depois de derrubar Dilma e prender Lula, o alvo desse golpe é destruir direitos como estão tentando fazer com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), entre várias medidas que nos dizem respeito.

    O agrupamento de orientação anarquista chamado “Intersindical - instrumento de organização da classe trabalhadora”, que dirigiu e sustentou a “Chapa 2 – Sindicato é pra lutar” deixou de lado toda essa situação para ser superficial com nossa categoria, sugerindo que o sindicato estaria “apenas defendendo o PT”, como afirmaram em documentos e, sobretudo, nas conversas com a base. Fato é que, de todas as organizações dos trabalhadores, a Intersindical foi a que menos participou e se posicionou contra o golpe, elegendo como inimigos... outras organizações da classe trabalhadora!

    Longe disso, fizemos as lutas em todas as instâncias, articulando com os poucos parlamentares decentes que temos na Câmara (assim como a direção do Sismmac não admite, mas também faz). Conscientes do limite desses espaços, fomos às ruas, fizemos atos contra o pacotaço de Greca, com mobilizações nas regionais, na frente do prédio prefeito, na ocupação da prefeitura, nos atos nas ruas. Negociamos quando havia fragilidade, avançamos quando havia condições, sem cair em gritaria e falas vazias.

    Agora decisão da categoria é soberana e admitimos que apontou importantes falhas da nossa gestão. É hora de repensar, redefinir estratégias e, da parte da gestão “Nós fazemos a luta” agradecer pelos aprendizados desses três anos.

    O movimento da História segue. A gestão Greca representa um dos piores retrocessos do município e servidores devem se unir para retomar os ganhos congelados. Contem conosco, com espírito generoso, estaremos nas ruas, no sindicato, na Câmara, nas negociações, junto com vocês.

    Gestão “Nós fazemos a luta”

    Executiva Sismuc
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