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  • 02/03/2021 Geral

    Fala, servidor: exumações no cemitério Zona Sul expõem precarização do serviço municipal

    Fala, servidor: exumações no cemitério Zona Sul expõem precarização do serviço municipal
    Atividade não oferece estrutura nem equipamentos de proteção adequados

    O Cemitério Zona Sul vive uma situação de abandono e tem sido fonte de reclamação e indignação dos servidores municipais que atuam em cemitérios de Curitiba. O local é o destino de sepultamento de pessoas sem identificação. Após determinado período, usualmente três anos, as ossadas precisam ser retiradas e encaminhadas ao ossuário geral - e é esse processo de exumação que gera condições de trabalho revoltantes.

    EPIs adequados

    Para as atividades normalmente executadas pelos coveiros, os EPIs que deveriam ser fornecidos para a proteção contra os riscos a que são expostos deveriam ser:

    - Coveiros e sepultadores devem utilizar os seguintes EPIs:

    a) proteção da cabeça: Capacete para proteção contra impactos de objetos sobre o crânio;

    b) proteção respiratória: máscaras descartáveis ou, quando necessárias, máscaras que filtram partículas de até 5 micra (N-95);

    c) proteção das mãos: luvas de borracha de cano médio;

    d) proteção do corpo: macacão de mangas compridas ou calças e camisas de mangas compridas;

    e) proteção dos pés: botas de borracha de Policloreto de Vinila - PVC cano médio;

    - Trabalhadores que realizam armazenagem temporária dos restos mortais devem utilizar os seguintes EPIs:

    a) proteção das mãos: luvas descartáveis de látex e luvas de borracha de cano médio por cima;

    b) proteção respiratória: máscaras descartáveis ou, quando necessárias, máscaras que filtram partículas de até 5 micra (N-95);

    c) proteção do corpo: aventais impermeáveis para proteção de tronco e membros superiores;

    d) jalecos de mangas compridas;

    e) proteção dos pés: botas de borracha de Policloreto de Vinila - PVC - cano médio;

    f) Proteção para cabeça: gorro.

    (Orientação defendida pelo sindicato a partir da Resolução SES nº 4798 - Norma Estadual - Minas Gerais)

    Para fazer os sepultamentos e exumações nesse local, são convocados trabalhadores que estão lotados em outros cemitérios. Os problemas já começam na estrutura do espaço. Vivendo numa situação de abandono, os servidores têm apenas um container sem climatização como ponto de apoio.Não há nem condições básicas para higiene, já que o chuveiro que havia no espaço foi furtado. O mesmo ocorreu com um micro-ondas e bebedouro que havia para a equipe e que foram furtados e não foram repostos. 

    E o trabalho é pesado! Já que a equipe precisa fazer a escavação com pá e enxada.

    Mas, o principal problema está no fato de a gestão não garantir as condições adequadas de segurança para o trabalho. Na exumação, a equipe tem contato direto com restos mortais, mas não recebe EPI adequado para isso. O que é disponibilizado é uma luva impermeável, mas a reclamação dos trabalhadores é que eles precisam fazer esse processo com o mesmo uniforme que utilizam no dia a dia. A reivindicação é que eles tivessem pelo menos avental com proteção adequada para dar mais segurança nesse processo, além de mais trocas de luvas.

    Pandemia e falta de proteção

    A pandemia de coronavírus também trouxe mais um fator de preocupação para a equipe dos cemitérios. Esse é mais um risco que se soma a tantos riscos de contaminação que os trabalhadores já enfrentam no dia a dia.

    E se em imagens de enterros das vítimas da Covid-19 em outros países muitas vezes vemos a figura dos trabalhadores totalmente paramentada com equipamentos de proteção, a situação em Curitiba é bem diferente. Os servidores receberam apenas equipamento de proteção respiratória, que é insuficiente para o nível de exposição da categoria.

    Isso sem falar que a pandemia, infelizmente, aumentou o trabalho dos servidores desse setor. Mas, a equipe foi mantida a mesma, gerando sobrecarga dos servidores.

    Polivalentes

    Os servidores que atuam nos cemitérios são polivalentes – cargo que foi extinto pelo desgoverno Greca. Se antes disso, a categoria era esquecida pela gestão, com a extinção dos cargos visando à terceirização, a situação só piorou. Mesmo antes da pandemia, os trabalhadores da categoria já lutavam por EPIs adequados e programa de prevenção de acidente de trabalho. 

    Imprensa SISMUC
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