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  • 14/05/2021 Geral

    Desvendando a terceirização: A ATMED já embolsou R$ 4 milhões

    Desvendando a terceirização: A ATMED já embolsou R$ 4 milhões
    Arte: CtrlS
    Relatório do TCE revela que a ATMED fica com parte do valor que deveria ser repassado aos trabalhadores

    De acordo com o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a ATMED – empresa de sócio de Pier – deixou de repassar R$ 4.683.650 em pagamentos aos trabalhadores em apenas dois anos. Isso acontece porque no processo de contratação a ATMED cobrou por hora de plantão de cada médico a mais do que ela pagaria para os trabalhadores. No caso, o valor foi de R$ 131,99 por hora de plantão. Porém, do valor total, a ATMED embolsa cerca de R$ 45,00.Ou seja, para cada médico contratado da ATMED, a empresa fica com o equivalente a 52% do valor que deveria ser pago aos trabalhadores.

    Como abordado em outras matérias da série, a ATMED foi contratada de forma quarteirizada pelo Instituto Nacional de Ciências da Saúde (INCS) em 2019. No caso, a ATMED cobra um valor maior do INCS do que deveria e, em vez de repassar o valor total para os trabalhadores, abocanha uma boa parcela do dinheiro, esse tipo de prática é considerado superfaturamento pelo TCE.

    E, se em dois anos a ATMED já conseguiu embolsar R$ 4 milhões, já imaginou o tamanho do lucro a longo prazo ou com a ampliação da terceirização e quarteirização? O dinheiro que a ATMED recebe poderia ir para contratação de mais servidores, por exemplo, ou então, para a manutenção das UPAs de forma pública.

    Veja os valores na tabela abaixo:


    E de onde vem o dinheiro que paga a ATMED?

    A ATMED é contratada do INCS, que por sua vez é contratado pela Prefeitura Municipal de Curitiba (PMC). O INCS, portanto, recebe da Prefeitura e então paga a ATMED. Ou seja, mesmo que diretamente não seja a PMC que pague pelos serviços prestados pela ATMED, podemos dizer que há dinheiro público envolvido.

    O valor pago para a ATMED equivale ao total de 39% de tudo o que a Prefeitura paga para o INCS. Por mês, a empresa recebe mais de R$ 690 mil, devido a um contrato com o INCS que jamais foi explicado.

    ATMED pode ter sido favorecida na contratação


    O processo de contratação emergencial proposto pelo INCS para a contratação da ATMED foi pouquíssimo divulgado e seu acesso foi dificultado ao máximo, fazendo com que a ATMED fosse a única participante.


    Além disso, devido ao contrato emergencial o INCS não apresentou referências de preços e nem detalhamento dos serviços que seriam prestados pela ATMED. O valor do contrato é milionário e mesmo assim, nenhuma justificativa sobre a contratação da empresa foi apresentada.


    Nas palavras dos técnicos do TCE, a contratação apresentaria indícios de direcionamento. Afinal de contas, não existe justificativa para a contratação da ATMED. O INCS foi contratado pela Prefeitura justamente para realizar todo o trabalho. E se não havia capacidade porque então a administração contratou essa empresa?


    O INCS já tem indícios de favorecimento no processo de licitação com a gestão Greca como você pode ver aqui. E agora, a ATMED também mostra possível favorecimento no processo de contratação emergencial por parte do INCS. Uma mão lava a outra.


    É preciso responsabilizar o Estado e a burguesia envolvida!


    A ATMED deixou de apresentar ao município os valores pagos aos trabalhadores durante a prestação de serviços da empresa. Sem a fiscalização adequada fica bem mais fácil para a empresa embolsar os R$ 4 milhões, não é mesmo? De acordo com o relatório do TCE a Prefeitura também errou quando deixou de nomear pessoas que tenham capacidade para realizar essa fiscalização como deveria, ou seja, ambas as partes atuaram juntas.


    Será que essa falta de fiscalização foi sem nenhum propósito? E, se isso aconteceu com a ATMED, quem garante que não acontecerá em todas as outras empresas que prestam serviço para a atual gestão?


    Greca falta com a verdade, sucateia e favorece constantemente a iniciativa privada! O fracasso do processo de terceirização em Curitiba – e em todo o Brasil – deixa claro que o que os governantes querem é deixar o empresariado feliz e cada vez mais rico!


    O esquema da ATMED não para por aí, Thiago Madureira e Gustavo Volpato usam sócios minoritários para esconder os esquemas da empresa. Você pode ver mais sobre isso na segunda-feira (17), em mais uma parte da série “Desvendando a Terceirização”.


    Imprensa SISMUC SISMMAC
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