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  • 16/07/2020 Saúde

    Fala, servidor: surto de contaminações na saúde é reflexo de falta de condições de trabalho

    Fala, servidor: surto de contaminações na saúde é reflexo de falta de condições de trabalho
    Arte: CTRL S
    Equipes afastadas, atendimentos prejudicados e servidores com mais de 60 anos expostos a riscos são exemplos da situação grave na saúde de Curitiba

    Os relatos de servidores da saúde de Curitiba estão cada vez mais preocupantes. E as denúncias de quem está na linha de frente deixam claro que o desprezo da gestão está levando a essa explosão de casos.

    Com as peças se encaixando, o quebra-cabeça revela cada dia mais a face da precarização – outro inimigo contra o qual os trabalhadores têm que lutar, como se o novo coronavírus por si só já não fosse um grande desafio. Já ficou claro que as condições mínimas de segurança não são cumpridas e que servidores trabalham com poucos recursos e em ambientes que, ao invés de evitar, facilitam o contágio. As falhas expõem ao perigo, além dos trabalhadores, também a comunidade que está sendo atendida!

    Contágios avançam

    O avanço da contaminação pelo novo coronavírus entre servidores da saúde é um fato em Curitiba. Uma das denúncias mais recentes fala sobre a explosão de casos na Unidade de Saúde (US) São Pedro, no bairro Xaxim. De lá, a servidora Rosa (nome fictício usado para preservar o anonimato da denúncia) denunciou que quatro servidores já testaram positivo para a doença, inclusive uma médica, que está afastada. Com o isolamento da profissional, a unidade está funcionando com apenas mais um médico para atender toda a demanda.

    Na US Barreirinha, o cenário também é desolador. Segundo denunciou Carlos (nome fictício usado para preservar o anonimato da denúncia), uma médica e uma fisioterapeuta que trabalham na unidade também tiveram que ser afastadas depois de serem contaminadas. E nem mesmo os recepcionistas foram poupados. Hoje, quem chega buscando atendimento é recebido por servidores do setor de odontologia e não há funcionários da enfermagem suficientes para monitorar a chegada de pacientes.

    Há dias, o mesmo aconteceu na UPA Fazendinha, onde um terço de uma das equipes de plantão foi afastada após testes confirmarem a infecção. Dois servidores precisaram de internamento. Na UPA, o descaso é tanto que, além da falta de EPIs mais seguros, a triagem de pacientes com sintomas continuava sendo feita dentro da unidade, junto com os demais pacientes. 

    No início desta semana, a contaminação por Covid-19 chegou a afastar metade dos servidores da Unidade de Saúde Moradias da Ordem, no bairro Tatuquara. A unidade ficou sem enfermeiras porque todas foram infectadas e, além disso, trabalhadores que ainda eram suspeitos seguiram na linha de frente.

    Apesar de o protocolo determinar o afastamento de servidores assim que a primeira suspeita for levantada, o descumprimento é uma das consequências da defasagem do quadro do funcionalismo público. Por isso, nem mesmo funcionários com mais de 60 anos são poupados. Pela idade, pessoas nesta faixa etária teriam que ficar isoladas, já que são parte do grupo de risco.

    A gestão do desgoverno Greca reconhece que idosos acima de 60 anos fazem parte do grupo de risco, mas contraditoriamente reconvocou servidores da saúde entre 60 e 65 anos no município. Com isso, os trabalhadores tiveram que voltar, sem poder exercer um direito que deveria ser garantido.

    O desgoverno Greca semeou o desmonte na saúde de Curitiba e agora colhe o prejuízo às custas da segurança dos próprios trabalhadores.

    Por isso, a luta em defesa da vida e da saúde dos trabalhadores se torna cada vez mais urgente e necessária em Curitiba, já que mesmo com o avanço da Covid-19 entre os servidores da linha de frente, a gestão não está tomando as medidas necessárias para proteger esses servidores!

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