Opinião

  • Barrados na "casa do povo"

    Barrados na "casa do povo"
    Derosso precisa responder por seus crimes.

    Mais uma vez, este ano, presenciei uma cena que, posso dizer, saiu dos livros de história. Mais precisamente dos tempos de ditadura: o povo sendo impedido de entrar na Câmara Municipal de Curitiba.

    Neste último mês, ao chegar ao plenário da câmara fui impedida de acessar o espaço, juntamente com várias pessoas. Após muitos protestos e tentativas, conseguimos ficar do lado de fora, pois o local do público no plenário foi ocupado estrategicamente por cargos comissionados da prefeitura, identificados por um selo verde de acesso. Tivemos os nossos cartazes arrancados por um segurança. E isso não foi tudo. Tive que presenciar, perplexa, um segurança correndo pelo plenário e arrancado das mãos de dois estudantes uma bandeira da União Nacional dos Estudantes e que também pediam transparência no legislativo municipal. A indignação foi geral e os “manifestantes” presentes tentaram defender os colegas. A porta que já estava fechada para impedir nosso acesso, foi cercada por seguranças e guardas municipais convocados pela administração, mas que entenderam que seu papel era somente proteger o cidadão curitibano.

    O povo vem sendo lesado há vários anos por representantes do povo que compõe esta casa e foram eleitos para defender e garantir os interesses do povo. Repito a palavra “povo” para lembrá-los por quem e porquê estão lá.

    Vamos entender porque os manifestantes estiveram na câmara neste 1º de agosto, debaixo de muita chuva e frio: o atual presidente da CMC, vereador tucano João Claudio Derosso, que vem ocupando há oito mandatos consecutivos, desde 1992, uma cadeira no legislativo municipal é protagonista de várias denúncias de irregularidades, como o caso da Empresa Iguatemi que faturou R$ 6,3 milhões da PMC pertencente a parentes de Derosso. Mais recentemente veio a público a contratação de quatro funcionários fantasmas que entre 1997 e 2007 exerciam cargos na câmara e também na assembleia legislativa e o escândalo das irregularidades na licitação e contratação milionária da empresa de sua esposa que na época em que participou e venceu a licitação era funcionária comissionada do legislativo municipal. A lei veda este tipo de prática e muitas outras das quais o político vem sendo alvo de denúncias. Estes foram os motivos pelos quais eu e muitos outros estivemos na nossa casa para exigir a saída de Derosso e tentaram nos impedir.

    É necessário que os trabalhadores e toda a comunidade civil se organizem para que a nossa história tenha um novo rumo. Qual é este novo rumo? A investigação séria e correta dos fatos denunciados, com o devido afastamento dos envolvidos para não influenciar nas decisões dos demais vereadores e, caso sejam comprovadas as irregularidades que os responsáveis sejam punidos com o rigor da lei. Neste caso, que Derosso e seus comparsas sejam penalizados civil e criminalmente e que a sentença seja realmente cumprida. 

    Fora Derosso!
     
    Ghilherme Carvalho
Ver índice de opinião

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba
Rua Nunes Machado, 1577 - Rebouças, Curitiba - PR. CEP: 80220-070     Fone/Fax: (41) 3322-2475 | (41) 98407-4932     E-mail: sismuc@sismuc.org.br
Atendimento de segunda a sexta-feira das 8h às 18h.

DOHMS